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Pé Diabético 
Complicações do Diabetes: Úlceras do Pé e Infecções
Colaboração:
Enfermeira Daniela Fernandes do Nascimento Neco Linhares Camargo
Especialista em Dermatologia.


O PÉ DIABÉTICO

            O pé diabético induz uma série de complicações crônicas - as mais freqüentes - próprias dos portadores de diabetes mellitus. Ele pode manifestar-se pormeio de uma solução de continuidade (alteração na pele íntegra), que se apresenta através de uma lesão elementar (alteração inicial), ocasionada por trauma, isquemia, pressão local ou intencional, e até mesmo por uma associação dessas causas.

             Diversos fatores estão envolvidos no surgimento do pé diabético. Portanto, a susceptibilidade do pé se dá pela neuropatia adquirida ao longo do curso do diabetes melito. A neuropatia é o resultado final do descontrole dos níveis plasmáticos da glicose, que, ao apresentar-se elevada, prejudica permanentemente as células nervosas, resultando em neuropatia distal periférica, que se mostra através da perda da sensibilidade; perda da função motora; perda das funções das glândulas sudoríparas e sebáceas locais (o que provoca acentuada desidratação e descamação do pé, facilitando o surgimento de fissuras e calosidades); bem como um prejuízo sobre a circulação local retardando o processo de cicatrização de uma úlcera já instalada.

             A neuropatia também leva à alterações permanentes na forma e função do pé, o que facilita diretamente o aparecimento de lesões. A neuropatia motora leva à atrofia dos músculos do pé, moldando-o com aumento do arco plantar e dedos em garra, mudando a posição do coxim gorduroso, da cabeça do metatarso para o artelho, facilitando o aparecimento das úlceras por pressão, que podem levar ao aparecimento de uma lesão significativa com resultado final de uma osteomielite, e, conseqüentemente àperda do artelho. O pé de Charcot também é uma deformação permanente do pé diabético, que possui fases distintas de agudização e cronicidade, evidencia um pé com aumento visível em sua porção látero-lateral. O indivíduo com tais alterações demonstra uma deficiência da propriocepção, e o peso fica mal distribuído por toda a superfície plantar, levando a pressões e conseqüentemente calosidades que são consideradas “pré-ulcerações”.

             Outra alteração importante são as micoses superficiais e ungueais nos pés. Além da resposta imunológica deficitária, há ainda, a perda da função das glândulas sebáceas e sudoríparas, como vimos anteriormente, mudanças significativas no pH da pele do pé e espessamento das unhas.

            O pé diabético é uma complicação de grande impacto econômico, tanto em países em desenvolvimento quanto nos países desenvolvidos. Hoje, a causa mais freqüente de internações por complicações pelo diabetes melito são justamente as úlceras nos pés. Estima-se que cerca de quinze por cento (15%) dos portadores de diabetes mellitus terão úlceras nos pés ao longo da vida. Aproximadamente oitenta por cento (80%) dessas úlceras são ocorrem por causas extrínsecas, podendo haver presença de infecção em até cinqüenta por cento (50%) delas. A amputação representa a conseqüência extrema e aterrorizante ao indivíduo com o pé diabético, sendo que sessenta por cento (60%) de todas as amputações em membros inferiores realizadas são realmente em pacientes diabéticos, o portador da doença está quinze vezes mais sujeito a sofrer uma mutilação que o indivíduo não-diabético. Um recente Estudo Brasileiro de Monitorização de Amputações de Membros Inferiores (EBMAMI) revelou que no Rio de Janeiro e baixada fluminense, a incidência de amputação alcança 180/100.000 diabéticos – quinze vezes maior que na população não-diabética.

             A prevenção das ulcerações é de extrema importância para a melhoria da qualidade de vida. A adesão ao tratamento médico para o diabetes melito – uso da medicação prescrita, controle nutricional, monitorização dos índices glicêmicos, a avaliação do “pé de risco”, bem como as orientações gerais para o auto-cuidado e o cuidado especializado de uma úlcera já instalada por um profissional qualificado, pode reduzir significativamente a tão temida mutilação física, que para quem passa por ela ou se vê diante da possibilidade iminente da situação, bem sabe que ultrapassa o teor físico, é uma mutilação também psicológica e social.

 

 

Voce sabia:

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Nos próximos 25 anos, o número de diabéticos pode dobrar em todo o mundo?  No Brasil, 14,67% da população acima de 40 anos podem ser diabéticos.
Fonte: http://hiperdia.datasus.gov.br

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